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Sora Fechou: $15 Milhões por Dia e a OpenAI Não Aguentou

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Sora Fechou: $15 Milhões por Dia e a OpenAI Não Aguentou

Na terça-feira, 24 de março de 2026, a OpenAI publicou uma mensagem simples no X: “We’re saying goodbye to Sora.” Seis meses após o lançamento do app, um dos produtos de IA mais aguardados dos últimos anos simplesmente sumiu das lojas. Sem aviso. Sem plano de transição detalhado. Sem explicação.

Mas os números contam a história que a empresa não quis contar.

$15 milhões por dia. Esse era o custo estimado para manter o Sora funcionando. Anualizado, passava de $5 bilhões — só para gerar vídeos que a maioria das pessoas assistia uma vez e esquecia. Do outro lado da equação: $2,1 milhões em receita total durante toda a vida do produto. A conta não fecha. Nunca fechou.


O que era o Sora, afinal

O modelo de geração de vídeo da OpenAI foi anunciado em fevereiro de 2024 e imediatamente virou o assunto da internet. Os demos eram impressionantes: vídeos realistas de até um minuto, com coerência temporal, física simulada de forma convincente, cenários que não pareciam gerados por IA.

A OpenAI levou meses para lançar o produto final. Quando finalmente chegou, em setembro de 2025, junto com o Sora 2, o app explodiu. Menos de 5 dias após o lançamento, já tinha 1 milhão de downloads. Em novembro de 2025, chegou a 3,3 milhões de downloads mensais no iOS e Google Play combinados. Ficou em primeiro lugar na App Store americana.

O conceito era ser um TikTok de IA: um feed infinito de vídeos gerados por usuários usando o modelo Sora. Você criava, compartilhava, interagia. Era diferente de tudo que existia.

E então a coisa desandou — de várias formas ao mesmo tempo.


A matemática que nunca funcionou

Gerar um vídeo com o Sora consumia entre 5 e 8 minutos de computação. Por vídeo. O app cobrava $200 por mês no plano premium, o que era, dependendo do uso, ou caro demais ou barato demais — nunca o número certo para ser sustentável.

Compare com os concorrentes: Pika Labs opera com um plano a $8 por mês. Runway Gen-4 tem geração em 30 a 90 segundos. A OpenAI estava tentando vender uma Ferrari pelo preço de um Civic enquanto pagava royalties de Lamborghini na produção.

A Forbes estimou em novembro de 2025 que a OpenAI poderia estar gastando $15 milhões por dia só com a geração de vídeos do Sora. São $450 milhões por mês, $5,4 bilhões por ano — para um produto que gerou $2,1 milhões no total em compras dentro do app.

Não é uma proporção ruim. É uma catástrofe financeira.

E isso acontece num momento em que a OpenAI está projetando um cash burn de $218 bilhões entre 2026 e 2029 — $111 bilhões a mais do que as projeções internas de dois trimestres atrás. A empresa está se preparando para um IPO com uma avaliação de $730 bilhões. Nesse contexto, manter um app que sangra bilhões e não gera receita expressiva é impossível de justificar para futuros acionistas.


O pesadelo dos deepfakes que ninguém previu (ou fingiram não prever)

O TechCrunch chamou o Sora de “o app mais sinistro do seu celular.” Não foi hyperbole.

O recurso “Characters” do Sora permitia escanear o rosto de qualquer pessoa para criar vídeos hiper-realistas. A proposta era deixar você “se colocar” em cenários criativos. Na prática, os guardrails eram tão fracos que qualquer usuário com 10 minutos de paciência conseguia contorná-los.

Bryan Cranston, o Bryan Cranston de Breaking Bad, teve que entrar em contato com a OpenAI para pedir remoção de conteúdo. Espólios de Robin Williams, Martin Luther King Jr. e George Carlin registraram reclamações formais sobre uso não autorizado de suas imagens. Personagens mortos sendo colocados em situações que jamais aceitariam em vida.

A Reality Defender, empresa especializada em detecção de deepfakes, conseguiu burlar o sistema de verificação de identidade do Sora em menos de 24 horas após o lançamento. O mecanismo de “liveness check” — a verificação biométrica que deveria garantir consentimento — foi chamado de “teatro de segurança” pelos pesquisadores. A proteção não protegia nada.

A OpenAI tentou corrigir isso migrando de um sistema opt-out para opt-in após pressão legal da indústria do entretenimento. Tarde demais. A reputação já estava manchada, os advogados já estavam em campo, e a mídia tinha material suficiente para semanas de cobertura negativa.

Paralelamente, usuários descobriram que podiam gerar versões de Mario, Naruto e Pikachu em situações completamente inapropriadas — aparentemente para testar os limites legais e criar conteúdo viral. Para a OpenAI, cada vídeo desse era uma bomba-relógio de responsabilidade legal.


A Disney jogou $1 bilhão no lixo junto com o app

Três meses antes do fechamento, a Disney fechou um acordo histórico com a OpenAI. O deal envolvia uma licença de três anos para que o Sora pudesse gerar vídeos usando mais de 200 personagens mascarados, animados ou criaturas das franquias Disney, Marvel, Pixar e Star Wars. Seria a primeira vez que a maior empresa de entretenimento do mundo formalizava uma parceria assim com um sistema de IA generativa.

Além da licença, a Disney estava planejando fazer um aporte de $1 bilhão na OpenAI. Parte da estratégia da empresa para não ficar para trás na corrida da IA.

Quando o Sora fechou, a Disney simplesmente saiu. Tudo: a licença, o investimento planejado, a integração com o Disney+. Uma nota curta da assessoria da Disney: “As the nascent AI field advances rapidly, we respect OpenAI’s decision to exit the video generation business and to shift its priorities elsewhere.”

Educado. Mas o significado real é que um bilhão de dólares em parceria estratégica foi por água abaixo junto com o app.


A queda livre dos números

A trajetória do Sora conta a história melhor do que qualquer análise:

PeríodoDownloads mensaisVariação
Set/Out 2025 (lançamento)Pico de ranking #1 App Store
Novembro 2025~3,3 milhõespico histórico
Dezembro 2025~2,2 milhões-32%
Fevereiro 2026~1,1 milhões-66% vs. pico

Em três meses, dois terços dos downloads evaporaram. A novidade passou, o custo era alto, os problemas de deepfake afugentavam usuários mais cautelosos, e a concorrência não ficou parada.

Receita total estimada durante toda a vida do produto: $2,1 milhões. Custo diário estimado: $15 milhões. Você não precisa de MBA para entender o problema.


Como a OpenAI tentou (e falhou) consertar no meio do caminho

Não é que a empresa não viu os problemas chegando. Viu. A questão é que consertar um produto de consumo em massa enquanto ele está no ar é diferente de redesenhar um modelo em laboratório.

Nos primeiros meses após o lançamento, a OpenAI tomou uma série de medidas reativas. Desativou o recurso de escaneamento facial de terceiros após a pressão do setor de entretenimento. Trocou o sistema opt-out por opt-in para uso de imagem de pessoas reais — o que derrubou significativamente o volume de criações. Adicionou filtros mais rígidos para personagens de propriedade intelectual conhecida.

O problema é que cada uma dessas mudanças reduzia também o que tornava o produto interessante. A liberdade criativa era o ponto. Restrinja liberdade criativa demais e você tem um gerador de vídeo conservador competindo com outros geradores de vídeo conservadores — mas custando 10x mais para operar.

Havia também um problema estrutural de moderação que vai além do técnico: diferente de texto, onde um modelo pode identificar conteúdo problemático com relativa rapidez, vídeo é muito mais difícil de analisar em tempo real em escala. Cada vídeo gerado precisa ser revisado em múltiplos frames, em contexto, considerando áudio e imagem juntos. Com 3,3 milhões de downloads mensais, isso significa um volume de conteúdo que nenhuma equipe de moderação consegue cobrir completamente.

A OpenAI apostou que a tecnologia estava madura o suficiente para o mercado consumer. O mercado consumer provou que não estava.


A IA de vídeo não morreu — só a versão cara demais da OpenAI

Esse é o ponto que a cobertura de “fim da IA de vídeo” erra feio: o mercado continua funcionando.

Runway Gen-4 está vivo e crescendo, com foco em agências criativas e estúdios de cinema. Gerações em segundos, não em minutos. Preços que fazem sentido para produção profissional.

Pika Labs thrives com um modelo de negócio acessível ($8/mês) e geração rápida. Tem uma base de usuários leal que usa o produto para criação de conteúdo real, não só para experimentar.

Veo 3, do Google DeepMind, continua em desenvolvimento com foco em qualidade cinematográfica e integração com o ecossistema Google.

O que morreu não foi a IA de vídeo. Morreu a abordagem específica da OpenAI: tentar transformar geração de vídeo de última geração num produto consumer com escala de TikTok, sem os guardrails adequados, sem a infraestrutura de custo certa, e sem uma proposta de valor diferenciada suficiente para competir com alternativas mais baratas.

Era uma aposta enorme em cima de uma tecnologia que ainda não atingiu o ponto de custo viável para consumo em massa. Ficou parecendo um experimento caro que saiu do laboratório antes da hora.


O que a OpenAI vai fazer agora

A equipe do Sora está sendo redirecionada para pesquisa de simulação do mundo real e robótica. A OpenAI afirmou que o trabalho de geração de vídeo vai continuar, mas focado em entender física do mundo para treinar robôs — não em criar conteúdo para redes sociais.

A empresa está claramente fazendo um pivot para onde está a receita real: ferramentas enterprise, modelos de raciocínio como o o3, integração com Microsoft e outros parceiros corporativos, e o mercado de desenvolvedores via API.

O ChatGPT também vai perder suporte a geração de vídeo. A API do Sora está sendo descontinuada. Quem tinha workflows construídos em cima do modelo vai precisar migrar para Runway, Pika ou aguardar o Veo 3 do Google.

A mensagem implícita para o mercado é clara: a OpenAI não pode fazer tudo ao mesmo tempo. Com uma queima de caixa projetada de $218 bilhões nos próximos anos e um IPO no horizonte, a empresa precisa mostrar que sabe priorizar — mesmo que isso signifique fechar um produto que, em outro momento, parecia o futuro da criação de conteúdo.


O que fica de lição

Tecnologia impressionante não é suficiente. O Sora 2 era, tecnicamente, o melhor modelo de geração de vídeo que existia. Isso não salvou o produto.

O que derrubou o Sora foi a combinação de fatores que são difíceis de resolver ao mesmo tempo: custo de computação na ordem de bilhões, ausência de moderação eficaz antes do lançamento, uma proposta consumer que exigia escala enorme para ser viável, e uma empresa que entrou numa corrida de IPO precisando mostrar disciplina financeira.

Eu já vi projetos falharem por menos. Quando você tem um produto que gera deepfakes de celebridades mortas, perde dois terços dos usuários em três meses, e custa $15 milhões por dia para rodar, a pergunta não é “se” vai fechar — é quando.

A real é que o Sora foi uma demonstração de capacidade técnica que escapou do contexto certo. Num laboratório de pesquisa, como ferramenta para estúdios de cinema, como tecnologia licenciada para parceiros com casos de uso específicos — teria funcionado. Como app social de consumo em massa, com toda a bagunça que isso implica, era uma aposta que dependia de tudo dar certo ao mesmo tempo.

Raramente tudo dá certo ao mesmo tempo.

O mercado de IA de vídeo vai continuar evoluindo. Outros players vão aprender com os erros da OpenAI — principalmente sobre custo de computação e moderação de conteúdo. A geração de vídeo com IA vai ser parte do futuro da criação de conteúdo; isso não está em discussão.

Mas o Sora como produto social? Vai ser um caso de estudo em como não lançar uma tecnologia poderosa sem resolver os problemas fundamentais de custo e governança primeiro.


Fonte de inspiração: OpenAI shutters short-form video app Sora as company reels in costs — CNBC


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Comment (1)

  • abril 7, 2026

    ‘Sociopata’: O Dossiê Da New Yorker Que Destrói Sam Altman - CodeInsider

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