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Programação

Zed 1.0 Chegou: 16x Menos RAM e 10x Mais Rápido que o VS Code

Zed editor 1.0 - editor de código escrito em Rust com renderização GPU
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Quatro GB de RAM pra abrir um arquivo TypeScript. Vinte e três processos rodando em background enquanto você só quer editar um JSON. Se você já olhou pro Activity Monitor com o VS Code aberto e sentiu um frio na espinha, saiba que não é só você — e que uma alternativa real finalmente chegou à versão 1.0.

O Zed 1.0 foi lançado em 29 de abril de 2026, e os números que ele apresenta não são marketing: são benchmarks mensuráveis, com metodologia pública. A promessa é simples — um editor escrito em Rust, com renderização direto na GPU, que consome 16 vezes menos memória que o VS Code e inicia 10 vezes mais rápido. Vou detalhar o que isso significa na prática, o que mudou na versão 1.0, e quando faz (ou não faz) sentido trocar.

O Peso Invisível do Electron

Nathan Sobo, o criador do Zed, tem credenciais para falar do problema: ele construiu o Atom no GitHub e foi um dos co-criadores do Electron. Ele sabe exatamente o que está criticando.

O Electron é um runtime Chromium embutido. Quando você abre o VS Code, você está basicamente abrindo um navegador web disfarçado de editor. Toda a interface é HTML, CSS e JavaScript sendo renderizados pelo motor do Chrome. Isso é ótimo para portabilidade e velocidade de desenvolvimento, mas tem um custo que aparece quando a máquina está sob carga: consumo de memória desproporcional, latência de input que você sente nos dedos, e um monte de processos que acordam quando você não precisa deles.

O VS Code com um projeto aberto chega a 23 processos consumindo 3.549 MB de RAM. O Zed faz o mesmo trabalho com 5 processos e 222 MB. Não é uma otimização incremental — é uma diferença de arquitetura.

O que É o Zed, Afinal?

O Zed é um editor de código nativo escrito integralmente em Rust. Não tem Electron, não tem JavaScript runtime, não tem DOM. A interface é construída com o GPUI, um framework de UI desenvolvido especificamente para o Zed, que renderiza direto na GPU — Metal no macOS, Vulkan e DX12 nas outras plataformas.

A analogia mais precisa que encontrei é a de uma game engine. O GPUI mantém um scene graph, faz frame diffing (calcula só o que mudou entre frames), e envia draw calls diretamente para a GPU com um atlas de glifos cacheado em memória de vídeo. O resultado é renderização a até 120 FPS na frequência nativa do seu monitor — sem o overhead de um layout engine CSS, sem event loop de JavaScript entre o seu teclado e a tela.

Latência de input de 2ms contra 25ms do VS Code. Na prática: você abre o Zed depois de anos no VS Code e seus keystrokes aparecem antes de você terminar de digitar. É uma diferença perceptível, não só um número em benchmark.

Os Números que Definem a Conversa

Antes de ir para features, os dados de performance — porque é aqui que a maioria das pessoas decide se vale a pena ler o resto:

MétricaZed 1.0VS CodeDiferença
RAM (projeto aberto)222 MB3.549 MB16x menos
Tempo de inicialização0,12s1,2s10x mais rápido
Latência de input2ms25ms12,5x menor
Latência autocomplete IA80ms160ms (Copilot)2x mais rápido
Processos ativos5234,6x menos
Abertura de monorepo 10k+ arquivos0,25s3,8s15x mais rápido
Framerate de renderização120 FPS~60 FPS2x mais suave

Esses números vêm de testes com metodologia pública, comparando as duas ferramentas abrindo o mesmo projeto no mesmo hardware. O caso mais impressionante é o monorepo: 0,25 segundos no Zed contra 3,8 no VS Code — 15x mais rápido num cenário que qualquer dev de empresa grande conhece bem.

GPUI: O Segredo por Trás da Velocidade

Vale detalhar o GPUI porque é o que diferencia o Zed de qualquer outro editor “nativo” que simplesmente evitou o Electron mas ainda usa GTK ou Qt com as mesmas limitações de CPU rendering.

O GPUI funciona assim: cada frame, o framework computa um scene graph com todos os elementos visuais. Ele faz diff com o frame anterior e envia para a GPU apenas as diferenças — exatamente como funciona a renderização em jogos modernos. Os glifos (letras, símbolos) ficam cacheados num atlas em memória de vídeo, o que elimina o custo de rasterização repetida.

A consequência prática é que editar um arquivo de 10.000 linhas no Zed tem a mesma fluidez de editar um arquivo de 100 linhas. Não há degração perceptível conforme o arquivo cresce — o que é o oposto da experiência no VS Code com arquivos grandes.

No macOS, o Zed usa Metal diretamente. No Linux (X11, GNOME, KDE, Sway, Hyprland), usa Vulkan. Suporte ao Windows está em desenvolvimento — sem data de lançamento confirmada ainda.

O que Chegou com a Versão 1.0

A versão 1.0, lançada em 29 de abril de 2026, consolidou funcionalidades que estavam em preview e adicionou algumas que eram gap crítico em relação ao VS Code:

  • Multiplayer nativo — edição colaborativa em tempo real com tracking de cursor, sem plugin externo. Funciona igual ao Live Share do VS Code, mas embutido
  • Voice chat e screen sharing integrados — você pode falar com seu par de programação dentro do editor. Incomum, mas útil pra quem faz pair programming com frequência
  • Bookmarks persistentes — marcadores de posição no código que sobrevivem ao fechamento do editor. Parece pequeno, mas faz falta
  • Git integration melhorada — diff inline, staging por hunks, histórico de arquivo
  • ~700 extensões disponíveis — ainda muito menos que o marketplace do VS Code (50k+), mas cobrindo os casos de uso mais comuns
  • LSP (Language Server Protocol) — compatibilidade com os mesmos servidores de linguagem do VS Code. Rust Analyzer, Pyright, TypeScript LSP funcionam sem configuração extra
  • IA nativa — suporte a Claude, GPT-4, Gemini e Ollama (local) embutido, sem precisar de extensão

O post de lançamento no Hacker News ficou em #2 com 1.142 pontos — o que, pra uma ferramenta de dev, indica adoção real e não só curiosidade.

IA Nativa: Diferente do que Você Está Pensando

A integração de IA no Zed merece menção separada porque é diferente do modelo “extensão que chama API” do Copilot.

No Zed, a IA tem acesso ao contexto do projeto de forma estruturada: árvore de arquivos, LSP symbols, diagnostics de erros — não só o texto do arquivo atual. Isso significa que o autocomplete e o assistente entende o projeto, não só o snippet em foco. Com 80ms de latência (contra 160ms do Copilot no VS Code), a resposta chega antes de você terminar de pensar na pergunta.

Você pode usar Claude, GPT-4, Gemini, ou rodar modelos locais via Ollama — tudo configurável por workspace. Pra quem trabalha com código proprietário e não quer mandar contexto pra servidores externos, a opção local é um diferencial real.

Quando Faz Sentido Migrar (e Quando Não)

Vou ser direto, porque é mais útil do que marketing:

Migre se: sua máquina tem menos de 16GB de RAM e você sente o VS Code pesando. Se você trabalha com monorepos grandes. Se latência de input importa (gaming keyboards, displays 120Hz+). Se você faz pair programming com frequência. Se quer IA sem depender de extensão de terceiro.

Não migre (ainda) se: você usa extensões muito específicas que não existem no Zed — debuggers complexos, frameworks de extensão proprietários como o do Salesforce, ou ferramentas enterprise que integram direto com o VS Code API. Também não migre se estiver no Windows — o suporte ainda está em desenvolvimento.

O ecossistema de extensões do Zed (~700) versus VS Code (~50.000) é o gap mais honesto que existe. Na prática, as extensões mais usadas cobrem 90% dos casos — mas aquele 10% pode ser exatamente o que você precisa.

A Ironia do Nathan Sobo

Tem algo poético no fato de que o cara que co-criou o Electron — a tecnologia que tornou o VS Code (e dezenas de outros apps) possível — seja o mesmo que está construindo o substituto que resolve os problemas que o Electron criou.

O Atom foi descontinuado em 2022. O Electron sobreviveu e virou onipresente. Mas a crítica que Nathan faz hoje ao modelo Electron não é arrependimento — é evolução. Em 2012, Electron era a única forma prática de fazer um editor de código multiplataforma com rich UI. Em 2026, Rust e GPUI mostram que tem outro caminho.

O Zed não precisa “matar” o VS Code para ser relevante. Precisa ser a escolha certa para o segmento de devs que valoriza performance acima de extensibilidade ilimitada. Pelos números do 1.0, esse segmento agora tem uma ferramenta de produção madura.

Se você quer testar, o Zed é open source e gratuito: zed.dev. Leva menos de um minuto pra instalar — e você vai notar a diferença de velocidade antes de terminar de configurar.


Fonte de inspiração: Zed 1.0: Rust Editor Reaches Milestone with 10x Speed Boost

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