Shopping cart

Subtotal $0.00

View cartCheckout

Building better devs

TnewsTnews
  • Home
  • Notícias
  • F-Droid 2.0 Chegou: A App Store que o Google Quer Matar
Notícias

F-Droid 2.0 Chegou: A App Store que o Google Quer Matar

Email : 15

F-Droid 2.0 Chegou: A App Store que o Google Quer Matar

Enquanto o Google gasta energia inventando formas de bloquear a instalação de apps fora da Play Store, uma equipe de voluntários acaba de soltar a maior atualização de uma loja de aplicativos open source em mais de uma década. O F-Droid 2.0 chegou, reescrito do zero, com interface nova, busca inteligente e atualizações automáticas. E o timing não poderia ser mais irônico.

Eu acompanho o F-Droid desde 2015. Sempre foi aquele app feio, lento, que você instalava por ideologia e usava com dor. A interface parecia ter saído de um tutorial de Android de 2013. Mas funcionava. E mais importante: era livre, no sentido real da palavra. Sem rastreamento, sem anúncios, sem Google.

Agora, com a versão 2.0, essa história mudou. E o contexto em que ela chega faz tudo ficar mais interessante.

O que mudou no F-Droid 2.0

A primeira coisa que você nota ao abrir o F-Droid 2.0 é que ele não parece mais um projeto acadêmico. A interface foi reconstruída com Jetpack Compose e Material Design. É moderno. Roda bem. Parece um app de verdade.

A navegação agora se resume a três abas: Discover, Search e My Apps. As categorias foram integradas ao Discover, o que elimina aquele menu lateral confuso que ninguém sabia usar direito.

Busca que funciona de verdade

A busca era um dos maiores problemas das versões anteriores. Você digitava o nome do app e não encontrava. Ou encontrava 40 resultados irrelevantes antes do que você queria.

No 2.0, a busca vasculha nomes, descrições, categorias e até traduções. Suporte a chinês, japonês e coreano foi adicionado (CJK), o que parece detalhe mas abre a loja pra milhões de usuários que simplesmente não conseguiam encontrar nada antes. Tem também histórico de buscas, algo que qualquer app store decente tem desde 2012, mas o F-Droid só agora implementou.

Filtros avançados

Aqui é onde fica interessante pra quem realmente se importa com privacidade. Você pode combinar múltiplos critérios de filtragem: categoria, compatibilidade com seu dispositivo e, o mais legal, anti-features.

Anti-features são marcações que o F-Droid coloca em apps que fazem coisas questionáveis, tipo rastrear o usuário, mostrar anúncios ou depender de serviços proprietários. Agora você filtra por isso. Quer jogos sem anúncios que funcionem offline? Um filtro resolve.

Instalação automática (finalmente)

O F-Droid 2.0 agora baixa e instala atualizações automaticamente em background. Nas versões anteriores, você tinha que abrir o app, puxar pra atualizar, esperar, clicar em cada atualização individualmente. Era um suplício.

A nova versão usa a API de pré-aprovação do Android (que surgiu em parte por pressão da DMA europeia) para criar um instalador unificado. O resultado é uma experiência muito mais próxima da Play Store: você instala, esquece, e o app se mantém atualizado sozinho.

Reescrito em Kotlin

Toda a base de código foi reescrita em Kotlin. O time do F-Droid explicou que a codebase anterior tinha acumulado tanta dívida técnica ao longo de uma década que era mais viável começar do zero do que refatorar.

A equipe passou por 14 releases de teste antes de soltar a versão estável. Isso não é trivial pra um projeto mantido por voluntários. A migração para Kotlin e Compose significa que contribuidores novos vão encontrar um código moderno, testável e bem mais fácil de estender.

O trade-off? Suporte ao Android 6 (Marshmallow) foi removido. A versão mínima agora é Android 7 (Nougat). Se você ainda usa um celular de 2015, a versão 1.x continua disponível, mas sem atualizações.

O contexto que torna tudo mais tenso

O F-Droid 2.0 não chega num vácuo. Ele desembarca no meio de uma das maiores ameaças à liberdade do ecossistema Android.

Google quer verificação obrigatória de desenvolvedores

A partir de 30 de setembro de 2026, apps de desenvolvedores não verificados param de funcionar em dispositivos Android certificados no Brasil, Indonésia, Singapura e Tailândia. Em 2027, a restrição se expande globalmente.

O que isso significa na prática? Todo desenvolvedor, mesmo quem nunca publicou nada na Play Store, precisa criar uma conta de desenvolvedor, pagar US$ 25 e verificar identidade com documento oficial. Apps sem essa verificação simplesmente não instalam.

O Google justifica isso com um dado impressionante: a análise deles encontrou 50 vezes mais malware em apps sideloaded do que na Play Store. É um argumento legítimo? Com certeza. Mas a solução proposta é como exigir carteira de habilitação pra andar de bicicleta.

O sistema que vai enforçar isso

O Google está construindo um app de sistema chamado Android Developer Verifier. Não vai ser um toggle nas configurações que você desativa. É um app de sistema, embutido no OS, que verifica a assinatura de cada APK antes da instalação.

Existe um “advanced flow” pra power users, que permite instalar apps de desenvolvedores não verificados. Mas o processo inclui “security checkpoints” que, segundo o Google, foram “designed to resist coercion scams”. Traduzindo: vão dificultar o máximo possível pra te desincentivar.

Apps instalados via ADB (Android Debug Bridge) continuam funcionando, o que é um alívio pra desenvolvedores. Mas pro usuário comum que baixa um APK da internet, a era do “instalar de fontes desconhecidas” está acabando.

DMA: a Europa no meio da briga

A ironia máxima é que parte do que tornou o F-Droid 2.0 possível veio da mesma regulação que o Google tenta contornar. A Digital Markets Act (DMA) da União Europeia forçou o Android a abrir APIs que antes eram exclusivas da Play Store, como a API de pré-aprovação de instalação que o F-Droid agora usa.

A UE recentemente multou o Google em 430 milhões de euros por restringir a distribuição de aplicativos. O F-Droid reconhece abertamente esse suporte regulatório em sua página de lançamento.

É um jogo de gato e rato: a Europa abre, o Google tenta fechar de novo por outra porta.

Quem financia o F-Droid (e por que importa)

Um dos maiores mitos sobre projetos open source é que eles surgem magicamente do trabalho altruísta de voluntários. A realidade do F-Droid 2.0 é diferente.

O projeto recebeu financiamento de:

Financiador Contribuição
— —
NLnet (via Mobifree fund) Financiamento do desenvolvimento core
Open Technology Fund UX Lab, FOSS Sustainability Fund, Security Lab
NGI (Next Generation Internet) Infraestrutura
Calyx Institute Suporte técnico
Convocation Coordenação

Uma auditoria de segurança completa foi realizada e o relatório deve ser publicado em breve. Isso é um diferencial enorme: quantas app stores alternativas podem dizer que passaram por auditoria de segurança independente?

O financiamento vem majoritariamente de fundações europeias focadas em soberania digital. É dinheiro público europeu bancando alternativas ao monopólio das big techs americanas. Goste ou não da geopolítica envolvida, o resultado prático é que o F-Droid hoje tem recursos pra competir de verdade.

O que foi removido (e por quê)

Nem tudo sobreviveu à transição. Algumas features foram cortadas:

F-Droid Privileged Extension (FPE): Era um módulo que permitia atualizações sem confirmação em ROMs customizadas. Não é compatível com o 2.0 por enquanto. Se você usa CalyxOS ou LineageOS com FPE, vai precisar esperar uma atualização.

Wipe em resposta a pânico: O F-Droid tinha uma feature que apagava apps específicos quando um “botão de pânico” era acionado, útil pra jornalistas e ativistas em regiões perigosas. A feature de pânico ainda existe, mas a parte de wipe automático foi removida porque a manutenção era complexa demais pra uma equipe pequena.

Compartilhamento nearby: A feature de compartilhar apps entre dispositivos próximos (via Wi-Fi Direct) está sendo reconstruída com métodos de conexão melhores. Não está disponível no 2.0 inicial.

Suporte a Tor embutido: Em vez de gerenciar Tor internamente, a recomendação agora é usar Tor VPN como app separado. Simplifica o código e evita problemas de manutenção do client Tor embutido.

F-Droid vs. Play Store em 2026

Vamos ser honestos: o F-Droid nunca vai substituir a Play Store pra maioria das pessoas. E não é esse o objetivo.


Comparativo rápido:

Play Store:        ~3.5 milhões de apps
F-Droid:           ~5.800 apps (todos open source)

Play Store:        Rastreamento extensivo, Google Play Services obrigatório
F-Droid:           Zero rastreamento, funciona sem Google

Play Store:        Atualizações automáticas desde sempre
F-Droid:           Atualizações automáticas a partir da versão 2.0

Play Store:        Revisão automatizada + humana
F-Droid:           Build reproduzível a partir do código fonte

Play Store:        US$ 25/ano pra desenvolvedores
F-Droid:           Gratuito pra qualquer desenvolvedor

O diferencial real do F-Droid não é a quantidade de apps. É o modelo: cada app é compilado a partir do código fonte pelos servidores do F-Droid. Isso garante que o binário que você instala corresponde exatamente ao código publicado. Na Play Store, você confia que o dev não colocou nada extra no build. No F-Droid, os builds são reproduzíveis.

Pra quem usa GrapheneOS, CalyxOS ou qualquer ROM sem Google, o F-Droid é praticamente essencial. É a forma mais confiável de instalar apps sem depender da infraestrutura do Google.

Como instalar o F-Droid 2.0

Se você nunca usou o F-Droid, o processo é simples. Acesse f-droid.org pelo navegador do seu Android, baixe o APK e instale. O sistema vai pedir permissão pra instalar de fontes externas. Aceite e pronto.

Se você já tem o F-Droid 1.x instalado, a atualização deveria aparecer automaticamente. Caso não apareça, force um refresh no repositório (puxar pra baixo na tela principal) ou baixe o APK diretamente do site.

Um detalhe importante: se você usava o F-Droid Privileged Extension em ROMs como CalyxOS ou LineageOS, a extensão não é compatível com o 2.0 ainda. Você pode manter a versão 1.x em paralelo até que a extensão seja atualizada, ou migrar pro 2.0 e aceitar que atualizações vão pedir confirmação manual por enquanto.

Depois de instalar, recomendo ir em Settings e habilitar o repositório “F-Droid Archive” se você precisa de versões antigas de algum app. Por padrão, só o repositório principal vem ativado.

17 categorias de jogos (sim, tem jogos no F-Droid)

Uma mudança que pode parecer menor mas muda a experiência: o F-Droid 2.0 expandiu as categorias de jogos de uma genérica “Games” pra 17 gêneros especializados.

Antes, procurar um jogo no F-Droid era abrir a categoria Games e scrollar até encontrar algo que parecesse interessante entre emuladores, sudokus e clones de 2048. Agora você tem categorias como estratégia, puzzle, RPG, arcade, cada uma com seus apps filtráveis.

Se você nunca explorou os jogos open source do F-Droid, recomendo o SuperTuxKart (clone de Mario Kart), o Shattered Pixel Dungeon (roguelike viciante) e o Mindustry (tower defense com automação). Todos gratuitos, sem anúncios, sem compras in-app.

O que esperar nos próximos meses

O F-Droid 2.0 é a fundação, não o produto final. A equipe já sinalizou o que vem:

Compartilhamento nearby vai voltar, reconstruído com protocolos de conexão mais robustos. A integração com Tor deve ganhar uma solução mais elegante que o “use outro app”. E a questão do F-Droid Privileged Extension precisa ser resolvida pra manter a base de usuários de ROMs customizadas.

O elefante na sala continua sendo o Developer Verification do Google. A partir de setembro de 2026, milhões de dispositivos no Brasil (um dos quatro países iniciais) vão começar a bloquear apps não verificados. O F-Droid adicionou um banner de contagem regressiva no app, direcionando pra campanha keepandroidopen.org.

Se o Google realmente implementar isso globalmente em 2027, a pergunta deixa de ser “você usa F-Droid?” e vira “você ainda pode usar F-Droid?”

Por que instalar agora

Se você é desenvolvedor e nunca experimentou o F-Droid, agora é o melhor momento. A versão 2.0 removeu as maiores barreiras de entrada: a interface é decente, a busca funciona, as atualizações são automáticas.

Se você se importa com privacidade, o F-Droid é a única app store que compila tudo a partir do código fonte e marca apps que contêm rastreadores.

E se você simplesmente não gosta da ideia de uma empresa controlar quais apps você pode ou não instalar no seu próprio dispositivo, bom, o F-Droid precisa de mais usuários. Porque a janela pra software livre no Android está se fechando, e cada instalação conta.

O download está em f-droid.org. Funciona em qualquer Android 7 ou superior. Não precisa de conta, não precisa de cartão de crédito, não precisa do Google.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Related Posts