Shopping cart

Subtotal $0.00

View cartCheckout

Building better devs

TnewsTnews
Programação

Rust Virou Tier-1 na Microsoft: Adeus C++ no Windows e Azure

Email : 4

Rust Virou Tier-1 na Microsoft: Adeus C++ no Windows e Azure

A Microsoft acabou de colocar o Rust no mesmo patamar que C++, C# e TypeScript internamente. Victor Ciura, engenheiro principal do time de tooling Rust na Microsoft, anunciou na RustConf em Montréal que a linguagem agora tem status de “Tier-1” dentro da empresa. E se você acha que isso é só uma label bonita, calma: o que está por trás dessa decisão muda o futuro do Windows, do Azure e de como a Microsoft escreve software.

Eu acompanho a relação da Microsoft com Rust desde 2019, quando o MSRC (Microsoft Security Response Center) publicou aquele dado que ninguém esqueceu: 70% de todas as CVEs corrigidas no Windows desde 2006 eram bugs de memory safety. Sete em cada dez vulnerabilidades. Todas causadas por problemas que linguagens como Rust simplesmente não permitem.

De lá pra cá, a Microsoft foi adotando Rust aos poucos, quase em silêncio. Primeiro no DWriteCore em 2020, depois no kernel do Windows 11, no SymCrypt (a biblioteca criptográfica que roda no Windows, Azure Linux e Xbox), e mais recentemente no Azure. Mas sempre com aquele ar de “estamos experimentando”. Agora não. Agora é oficial.

O que Tier-1 significa na prática

Dentro da Microsoft, Tier-1 não é um título honorário. É uma classificação de engenharia que define o nível de suporte que uma linguagem recebe. Ser Tier-1 significa que o Rust agora tem:

  • Builds seguros de toolchain: a cadeia de compilação é auditada e mantida pela segurança corporativa
  • Ferramentas de produtividade para devs: integração completa com o ecossistema interno de desenvolvimento
  • Workflows de qualidade e compliance: o Rust passa pelos mesmos padrões que C# e C++ precisam cumprir
  • Integração profunda com a plataforma Windows: não é mais um “cidadão de segunda classe”
  • Conformidade com os requisitos do SDL (Security Development Lifecycle): requisito obrigatório para todo software da Microsoft

Pense assim: antes, um time que quisesse usar Rust dentro da Microsoft precisava resolver uma série de problemas sozinho. Toolchain, compliance, integração com pipelines de CI/CD, hardening de binários. Agora existe um “caminho pavimentado” (termo deles) que leva do desenvolvimento local até a produção. Isso reduz dramaticamente a barreira de entrada para qualquer time dentro da empresa.

rustc_codegen_utc: o backend que muda tudo

A peça técnica mais importante dessa história tem um nome complicado: rustc_codegen_utc. É um backend alternativo de geração de código que conecta o compilador Rust diretamente ao backend do MSVC (o compilador C/C++ da Microsoft).

Por que isso importa? Porque o Rust normalmente usa LLVM como backend. Funciona bem, mas no ecossistema Windows, o MSVC tem décadas de otimizações, features de hardening de segurança, e integração com ferramentas de debug e profiling que o LLVM não replica. Ao conectar o rustc ao UTC (Universal Turing Complete, o backend do MSVC), a Microsoft consegue:

  • Compatibilidade com todo o ecossistema de tooling Windows: debuggers, profilers, análise estática
  • Hardening de binários: as mesmas proteções de segurança que o C++ compilado com MSVC recebe
  • Inlining cross-language: otimizar chamadas entre Rust e C++ como se fossem a mesma linguagem
  • Geração de código unificada: Rust e C++ compartilham o mesmo pipeline de compilação no Windows

Isso é enorme. O rustc_codegen_utc está em produção desde o início de 2026, é self-hosted desde o Rust 1.90, e já roda em mais de 100 repositórios internos da Microsoft. O rollout continua semanalmente.

Na prática, isso significa que o código Rust dentro da Microsoft é tratado com o mesmo nível de otimização e segurança que o código C++ que roda no Windows há 30 anos. Não é mais um “forasteiro” no ecossistema.

O Windows já tem Rust no kernel

Isso não é novidade pra quem acompanha, mas vale contextualizar. O Windows 11 versão 24H2 já inclui código Rust no kernel, especificamente na implementação de GDI region no win32kbase_rs.sys. David Weston, VP de segurança do Windows, confirmou que o uso de Rust no kernel vai aumentar.

O Windows App SDK já tem cerca de 152.000 linhas de Rust contra 96.000 linhas de C++. Leia de novo: o Rust já tem mais código que o C++ no App SDK do Windows. A inversão já aconteceu.

E no Azure, a regra é ainda mais direta: todo novo componente que processa input não confiável deve ser escrito em Rust. Não é uma sugestão, é mandatório.

Projeto Status do Rust
——— —————
Windows Kernel (GDI) Em produção (24H2)
Windows App SDK 152K linhas Rust vs 96K C++
SymCrypt (criptografia) Reescrita em Rust em andamento
Azure (novos componentes) Mandatório para input não confiável
Xbox Via SymCrypt
Repositórios internos 100+ usando rustc_codegen_utc

70% das CVEs: o número que mudou a cultura

Toda essa movimentação começa com um número: 70%. Desde 2006, sete em cada dez vulnerabilidades críticas corrigidas no Windows foram causadas por bugs de memory safety. Buffer overflows, use-after-free, double-free, null pointer dereferences. Todos problemas que existem porque C e C++ permitem que o programador gerencie memória manualmente.

O Rust elimina essas classes de bugs por design. O borrow checker, o ownership system, e o lifetime checker do Rust fazem com que bugs de memória simplesmente não compilem. Não é uma ferramenta de análise estática que você roda depois e pode ignorar. É o compilador te impedindo de criar o bug em primeiro lugar.

Para uma empresa do tamanho da Microsoft, que corrige centenas de CVEs por ano, eliminar 70% dessa lista é uma economia absurda. Não só em tempo de engenharia, mas em reputação, confiança do cliente, e custos com patches de emergência.

O CTO do Azure, Mark Russinovich, já havia dito em 2022 que novos projetos deveriam usar Rust ao invés de C/C++. Na época, muita gente tratou como opinião pessoal. Agora é política oficial.

O plano de 2030: reescrever tudo

A ambição da Microsoft vai além de “usar Rust em projetos novos”. O plano, revelado em diversas conferências e comunicados internos, é reescrever todo o código C/C++ crítico em Rust até 2030. Isso inclui:

  • Componentes do kernel do Windows
  • Infraestrutura do Azure
  • Bibliotecas criptográficas
  • Serviços de rede e comunicação

Quatro anos para reescrever décadas de código C/C++. É ambicioso? Muito. Realista? Com agentes de IA ajudando na tradução, mais do que parece. A Shopify acabou de mostrar que 6 engenheiros podem reescrever 300 telas em 12 semanas com IA. A Microsoft tem milhares de engenheiros e um dos maiores investimentos em IA do planeta.

O padrão que está se formando é claro: IA acelera reescrita, Rust garante segurança. Juntas, essas duas tecnologias estão matando a dívida técnica que C/C++ acumulou em 40 anos.

E os devs C++? Ficam obsoletos?

Calma. O Victor Ciura, que escreveu o post anunciando o Tier-1, tem 25 anos de experiência em C++. Ele não está dizendo que C++ é lixo. Ele está dizendo que Rust resolve um problema que C++ não resolve: segurança de memória em tempo de compilação.

C++ ainda vai existir por décadas. Tem código C++ demais no mundo pra simplesmente desaparecer. Mas o fluxo de novos projetos está mudando. Dentro da Microsoft, se você quer começar um projeto novo em sistemas, a recomendação agora é Rust. Não C++.

Para devs C++, o caminho é aprender Rust. Não porque C++ vai morrer amanhã, mas porque a indústria está migrando. Google, Meta, Amazon, e agora Microsoft oficialmente. As quatro maiores empresas de tech do mundo estão investindo pesado em Rust.

A curva de aprendizado do Rust é famosa por ser íngreme. O borrow checker vai brigar com você nos primeiros meses. Mas se você já sabe C++, a transição é mais suave do que parece. Os conceitos de ownership e lifetime são familiares pra quem já lidou com RAII e smart pointers.

O que isso significa para o ecossistema Rust

O Rust Foundation está tendo seu melhor momento. Ter a Microsoft como apoiadora oficial de Tier-1 muda completamente a dinâmica:

Legitimidade corporativa. Muitas empresas hesitavam em adotar Rust porque não tinha “suporte enterprise”. Agora a Microsoft, dona de uma das maiores infraestruturas de software do mundo, está dizendo: “usamos em produção, no kernel, no Azure, e é Tier-1”. Essa é a validação que faltava para muitos CTOs.

Contribuições upstream. O rustc_codegen_utc é um investimento massivo que pode eventualmente beneficiar a comunidade inteira. Se a Microsoft abrir partes desse backend, qualquer empresa que compila para Windows ganha as mesmas otimizações.

Ferramental. A Microsoft é dona do VS Code, do GitHub, do Azure DevOps. Se o Rust é Tier-1 internamente, essas ferramentas vão receber cada vez mais suporte para Rust. O IntelliJ com o plugin de Rust já é bom, mas o VS Code com suporte oficial da Microsoft pode se tornar a melhor IDE para Rust no mercado.

Empregos. Mais demanda por Rust significa mais vagas de Rust. E quem aprendeu Rust nos últimos anos, quando era “nicho”, está numa posição privilegiada agora.

A timeline da ascensão do Rust na Microsoft

Para quem gosta de ver a evolução:

Ano Marco
—– ——-
2019 MSRC publica: 70% das CVEs são memory safety
2020 DWriteCore reescrito em Rust
2022 Mark Russinovich (CTO Azure) recomenda Rust para novos projetos
2023 Rust aparece em bibliotecas core do Windows
2024 Código Rust no kernel do Windows 11 (24H2)
2025 SymCrypt começa reescrita para Rust
2026 (jan) rustc_codegen_utc entra em produção
2026 (set) Rust declarado Tier-1 oficialmente
2030 Meta: todo código C/C++ crítico reescrito

Sete anos do primeiro sinal até o status oficial. Quem falava que Rust era “hype” em 2019 e que a Microsoft nunca abandonaria C++ pode começar a revisar suas previsões.

E o C#? Fica de fora?

Pergunta justa. O C# também é Tier-1 e tem memory safety (gerenciada pelo GC). Por que não usar C# em vez de Rust?

Porque C# tem garbage collector. Para userland, tá ótimo. Para kernel, drivers, criptografia, e componentes de baixo nível onde latência previsível é essencial, GC não serve. Pausas de GC no kernel do Windows causariam instabilidade sistêmica.

O Rust ocupa um nicho que o C# não alcança: performance de C++ com segurança de memória, sem garbage collector. É exatamente o que você precisa para sistemas operacionais, infraestrutura de cloud, e software embarcado.

Na prática, a Microsoft vai usar:

  • C# para aplicações, serviços web, ferramentas internas
  • TypeScript para frontend e Node.js
  • Rust para sistemas, kernel, criptografia, infraestrutura de baixo nível
  • C++ para código legado em manutenção (até ser migrado)

O que muda pra você

Se você é dev e está decidindo o que aprender em 2026, Rust acabou de ganhar mais um argumento pesado. A Microsoft se junta a Google (Android, Chromium), Meta (Buck2), Amazon (Firecracker, Bottlerocket), e Cloudflare (Pingora) como empresas que usam Rust em produção para sistemas críticos.

Se você trabalha com C++, a mensagem é clara: comece a aprender Rust. Não precisa largar C++ amanhã, mas tenha Rust no repertório. O mercado está se movendo.

Se você trabalha com web (JavaScript/TypeScript, Python, Go), Rust provavelmente não vai substituir suas ferramentas do dia a dia. Mas entender Rust te dá acesso a um ecossistema de performance que vai se tornar cada vez mais relevante conforme IA, edge computing e WebAssembly crescem.

O compilador do Rust é difícil. O borrow checker vai te xingar. Mas todo dev que passou por isso diz a mesma coisa: “depois que clicou, eu não quero voltar”.

A pergunta que fica

Quando Google, Amazon, Meta, Cloudflare e Microsoft concordam em alguma coisa, vale prestar atenção. E todas concordam que Rust é a linguagem certa para código que precisa ser rápido, seguro e confiável.

O anúncio da Microsoft não é isolado. É o último dominó de uma sequência que começou em 2019 com um paper sobre CVEs. Sete anos depois, Rust está no kernel do Windows, é obrigatório no Azure, e tem o mesmo status que C++ dentro da maior empresa de software do mundo.

Se alguém ainda tinha dúvidas se Rust era “hype de conferência” ou uma mudança real na indústria, a resposta está nos 100+ repositórios internos da Microsoft que já compilam com rustc_codegen_utc. Não é hype. É infraestrutura.

Fonte de inspiração: Rust is Tier-1 Language at Microsoft, Rust Foundation

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Related Posts